![]() |
Marfrig apresentou proposta abaixo da inflação na segunda reunião entre as partes |
Mais uma vez os representantes de sindicatos de trabalhadores nas indústrias de alimentação de Bage, Alegrete, Pelotas e São Gabriel saíram frustrados de uma rodada de negociações com representantes do Marfrig Group. O encontro ocorreu na Sala de Apoio da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins - Sul (CNTA-Sul), em Porto Alegre. A data-base dos trabalhadores do Marfrig é 1º de fevereiro.
Desta vez os representantes do frigorífico apresentaram uma proposta de reajuste salarial de 5% - índice abaixo da inflação no período de 12 meses (de fevereiro/2016 a janeiro/2017), que ficou em 5,44%. Entretanto, há um agravante. O piso normativo da categoria é vinculado ao Piso Mínimo Regional de salários. A proposta de reajuste do Piso Regional, encaminhada à Assembleia Legislativa, ainda não foi votada. O percentual é de 6,48% - as centrais sindicais exigem 10,45%, o que inclui a reposição da inflação e aumento real. Não há previsão para a votação do Piso Regional no parlamento gaúcho.
O Marfrig reforçou a ideia de retirar direitos dos trabalhadores - alguns itens já constam nos acordos há mais de 20 anos, como o adicional noturno. Outra ideia da empresa é cobrar pelo transporte dos trabalhadores até a fábrica e vice-versa (que hoje é gratuito) e retirar o pagamento dos 30 minutos para troca de uniforme, entre outros. "Só quem pode decidir a retirada de direitos e de conquistas é o trabalhador. Se for necessário, realizaremos uma assembleia e iremos ouvir os empregados, mas o sindicato não vai ficar com este peso de decidir pela retirada de conquistas, só o trabalhador pode dizer se aceita ou não", destaca o presidente do Sindicato de Bagé, Luiz Carlos Cabral.
Clima favorável
O presidente do STIA/Bagé enfatiza que as análises de mercado apontam um crescimento do setor frigorífico para 2017 e, maior ainda, para 2018. O consultor e Diretor-fundador da Scot Consultoria, Alcides Torres, haverá uma virada de ciclo importante, embora com limitações de oferta. Mas a demanda pela carne brasileira é crescente, tanto no mercado interno quanto externo, com a abertura de mercados como Estados Unidos, China e Egito, devem continuar colaborando para o bom desempenho dos embarques no ano que vem. “Esses novos mercados dão potencial para que o Brasil expandir suas exportações e, vale ressaltar que pagam mais pela carne”, lembra Torres.
Cabral lamenta que o Marfrig não leve em conta esse tipo de análise nas negociações. "O clima está favorável, reforçamos que estão sobrando bois no campo e os abates continuam a todo vapor", pondera o líder sindical. "O grande problema é o monopólio do setor frigorífico, onde a intenção é explorar todo mundo, desde o produtor rural, que cuida dos bois, até o trabalhador da indústrias, que tem em suas costas a exigência e a pressão por produzir cada vez mais, sem ter o reconhecimento salarial e de seus direitos no momento da negociação", frisa o presidente.
A retirada de direitos, na avaliação de Cabral, é reflexo de uma condução desastrosa para os trabalhadores em nível federal. "Vemos o governo Temer querer mexer em itens como a Previdência e as Leis Trabalhistas não para agregar algo de positivo, só para reforçar o caixa do próprio governo e fazer com que o trabalhador pague pela irresponsabilidade dos governos ao longo das últimas décadas", afirma o líder sindical. "Isso se reflete no comportamento da empresa, que acaba explorando o trabalhador porque o exemplo que vem de cima é esse", complementa Cabral.