Redução da jornada sem perda salarial e ampliação do descanso semanal representam avanços na luta por melhores condições de trabalho e qualidade de vida
A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1 representa um importante avanço na luta histórica da classe trabalhadora brasileira pela redução da jornada de trabalho. A proposta estabelece a transição para uma escala de cinco dias de trabalho e dois de descanso remunerado, com redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição dos salários.
Para o movimento sindical, a medida representa mais do que uma alteração na organização das jornadas. Trata-se do reconhecimento de que os trabalhadores têm direito ao descanso, à convivência familiar, ao lazer e à preservação da saúde física e mental.
Participação do STIA/Bagé
Em abril de 2026, representantes do Sindicato participaram em Brasília de dois eventos sobre o tema. Um foi a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat) e, ao final da programação, a realização da Marcha da Classe Trabalhadora. Representaram o Sindicato na oportunidade os diretores Cláudio Gomes Gonçalves, Alisson Roberto Viana Marinho, Daiana Chagas Freitas Vidart, Paulo Renato Rolim Gonçalves e Joseane Franco Silveira. Tudo isso visando à mobilização para que a proposta fosse votada no Senado.
Apesar de termos marcado presença e tratado do assunto com colegas dentro das fábricas, recebemos críticas. Até de que o Sindicato teria "ido passear" em Brasília e que a discussão "não daria em nada". Lamentamos que ainda existam trabalhadores com essa mentalidade, que visa tirar a credibilidade da atuação dos companheiros envolvidos com o movimento sindical.
"Essa conquista é um marco para os trabalhadores. Foi necessária muita luta, que começou no início dos anos 2000, com a mobilização para a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais dentro dos frigoríficos. Até que, agora, toda a classe trabalhadora obteve êxito e a PEC avançou. Essa é a maior prova de que a união de esforços muda as coisas para melhor", ressalta o presidente do STIA/Bagé, Luiz Carlos Cabral Jorge.
Como vai ficar a partir de agora?
A proposta prevê que, após a promulgação da emenda constitucional, a jornada máxima seja reduzida inicialmente para 42 horas semanais, com direito a dois dias de descanso remunerado. Após 14 meses, o limite passará a ser de 40 horas semanais.
A mudança também poderá beneficiar trabalhadores que já cumprem suas atividades de segunda a sexta-feira, mas precisam compensar as horas correspondentes ao sábado. Com a redução da jornada, essa compensação poderá ser eliminada ou diminuída.
A conquista nasce da mobilização
A redução da jornada de trabalho é uma reivindicação histórica do movimento sindical brasileiro. Ao longo das décadas, a organização dos trabalhadores foi decisiva para conquistar direitos como férias remuneradas, 13º salário, descanso semanal e limites para a duração do trabalho.
O avanço da proposta demonstra que a mobilização social continua sendo fundamental para enfrentar relações de trabalho marcadas por jornadas extensas, desgaste físico e mental e dificuldades para conciliar a atividade profissional com a vida pessoal.
A defesa do fim da escala 6x1 também reafirma um princípio fundamental: os avanços tecnológicos, o aumento da produtividade e o desenvolvimento econômico precisam resultar em melhores condições de vida para quem produz a riqueza do país.
Não é aceitável que o crescimento da economia esteja dissociado da valorização do trabalho e da garantia de condições dignas para os trabalhadores.
A luta vai continuar
Apesar do avanço no Senado, a proposta ainda precisa cumprir as etapas legislativas necessárias para sua incorporação à Constituição Federal.
O movimento sindical deverá permanecer mobilizado para assegurar que o texto definitivo preserve a redução da jornada sem perdas salariais e impeça que exceções ou mecanismos de flexibilização comprometam os direitos conquistados.
A negociação coletiva continuará desempenhando papel importante na organização das jornadas, especialmente em atividades que exigem funcionamento contínuo. Entretanto, essas negociações devem garantir a proteção dos trabalhadores, respeitando suas condições de saúde, segurança e descanso.
A aprovação da proposta representa uma vitória da mobilização popular e sindical, mas sua transformação em direito efetivo dependerá da continuidade da organização e da participação da classe trabalhadora.
Reduzir a jornada sem reduzir salários é valorizar o trabalho, distribuir melhor os ganhos da produtividade e reconhecer que a vida dos trabalhadores não pode se resumir ao emprego.
"A luta pelo fim da escala 6x1 é parte de uma reivindicação maior: construir relações de trabalho mais justas, com dignidade, direitos e qualidade de vida para todos", reitera Cabral.


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